Ansiedade e TOC

Quando o mindfulness aumenta a ansiedade: outras formas de se orientar

Mindfulness não é calmante para todo mundo. Saiba como fazer uma pausa, encontrar outras formas de se orientar e conversar com um profissional se os sintomas piorarem.

Vitaly ChopikAutorVitaly Chopik

·7 min de leitura

Pessoa adulta caminhando em direção a uma janela iluminada e tocando de leve uma planta, com almofadas no chão por perto.

Em resumo

Pontos principais

  • Mindfulness não é uma experiência calmante para todo mundo, e uma reação desconfortável não significa que você está falhando.
  • Você pode pausar a prática, abrir os olhos, mudar de posição ou escolher uma atividade comum com foco no ambiente.
  • Uma piora persistente ou intensa merece atenção profissional; o autocuidado não deve atrasar o cuidado necessário.

Você não precisa se sentir calmo só porque a gravação diz para isso

A voz nos seus fones pede que você feche os olhos e perceba a respiração. Em vez de se acalmar, você percebe mais os batimentos do coração, sente-se preso à imobilidade ou fica preocupado por estar respirando errado. Talvez suponha que a solução seja se esforçar mais. Se o mindfulness aumenta sua ansiedade, você pode fazer uma pausa.

O Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa dos Estados Unidos observa que a meditação pode ter efeitos negativos para algumas pessoas e que a pesquisa sobre segurança ainda é limitada. Isso não significa que todo momento desconfortável seja prejudicial. Significa que o sofrimento não deve ser descartado apenas porque uma prática é recomendada com frequência.

Você não precisa provar por que teve essa reação antes de ajustar o que está fazendo. O passo imediato pode ser prático: tornar a situação mais suportável e decidir se quer ajuda para entendê-la.

Identifique qual parte está difícil

Mindfulness é um termo amplo, e as práticas variam. Sentar em silêncio, prestar atenção às sensações do corpo, acompanhar uma voz ou caminhar observando o ambiente são experiências diferentes. Uma reação a um exercício não diz como será sua experiência com todos os outros.

Considere qual parte parece desconfortável. É fechar os olhos em um ambiente desconhecido? A pressão para ficar imóvel apesar da dor? Um escaneamento corporal que faz você inspecionar cada sensação? A instrução de respirar de uma forma que parece forçada? Talvez a gravação seja rápida ou lenta demais, ou insistente demais.

Essas observações são descrições úteis, não evidências de um diagnóstico oculto. Um escaneamento corporal angustiante não comprova trauma, e ter dificuldade para sentar quieto não diagnostica TDAH nem qualquer outra condição. Você pode dizer a um terapeuta: “Minha ansiedade aumenta quando presto atenção ao que está acontecendo dentro do meu corpo”, sem formular uma teoria sobre seu sistema nervoso.

Se a prática faz parte de um tratamento em andamento, conte a reação ao profissional que acompanha você. Ele pode ajudar a diferenciar um desafio esperado de um exercício que precisa de adaptação ou substituição.

Faça um ajuste pequeno e imediato

Primeiro, pare de tratar a conclusão do exercício como uma obrigação. Você pode pausar o áudio, abrir os olhos, mudar para uma posição mais confortável ou sair de um grupo discretamente, se for seguro. Terminar a sessão não é mais importante do que conseguir se orientar e escolher o que fazer a seguir.

Se estiver se sentindo distante ou sobrecarregado, perceba detalhes comuns no ambiente: a porta, a cadeira que apoia seu corpo ou um objeto conhecido. Converse com alguém de confiança se a companhia puder ajudar. Não há necessidade de transformar isso em uma sequência fixa de contagem que você precisa executar corretamente.

Um instrutor ou líder do grupo pode oferecer opções, mas deve escutar seu relato em vez de insistir que você continue apesar de qualquer nível de sofrimento. Se sentir que não consegue dizer não, peça apoio a alguém de fora do grupo. O artigo sobre como pedir apoio sem contar toda a sua história pode ajudar a encontrar uma forma simples de fazer esse pedido.

Escolha uma atividade comum com foco externo

Uma alternativa não precisa ser outra técnica formal de bem-estar. Talvez uma atividade cotidiana conhecida seja mais fácil do que ficar sentado com a atenção presa à experiência interna. São opções de conforto, não tratamentos comprovados para todas as pessoas.

Uma mudança a considerar quando a prática incomoda
O que parece difícilUma alternativa possível
Fechar os olhosMantê-los abertos e olhar para uma parte conhecida do ambiente
Ficar imóvelMudar de posição ou tentar um movimento confortável para seu corpo
Monitorar cada respiraçãoOuvir algo conhecido ou observar um objeto externo
Uma gravação longaInterrompê-la e escolher uma atividade mais curta e leve
Praticar sozinhoPedir companhia a alguém de confiança ou conversar sobre apoio guiado

Para algumas pessoas, lavar uma xícara, regar uma planta, ouvir música ou fazer uma caminhada confortável oferece uma transição mais viável. Escolha algo adequado ao seu ambiente e às suas necessidades físicas. Se o silêncio piorar a sensação, você não precisa fazer dele a meta.

Nosso guia sobre por que só relaxar pode parecer impossível após estresse prolongado explora como o estresse e as circunstâncias podem tornar essa instrução pouco útil. Quando os estímulos sensoriais são dolorosos ou avassaladores, mudar o ambiente pode importar mais do que mudar sua atitude diante da sensação.

Tire a exigência extra de fazer o bem-estar corretamente

Uma prática difícil pode criar um segundo problema: “Todo mundo consegue relaxar; o que há de errado comigo?”. Essa conclusão vai além das evidências. Tudo o que você sabe é que essa atividade, nessas circunstâncias, foi desconfortável ou não ajudou.

Você pode descrever o resultado como descreveria uma cadeira desconfortável: “Isso precisa mudar”. Assim, permanece aberto a entender a experiência sem transformá-la em um julgamento sobre seu caráter. Uma prática pode ser popular e ainda não se adequar às suas necessidades atuais.

Também não há obrigação de substituir uma rotina por outra imediatamente. Descansar, fazer uma refeição ou cumprir uma parte comum do dia talvez seja suficiente por enquanto. Testar gravações diferentes repetidamente para conferir se você finalmente está calmo pode manter a atenção presa ao estado que tenta mudar.

A dificuldade para relaxar pode ter um contexto mais amplo. O estresse e as circunstâncias podem tornar essa recomendação pouco útil; você não precisa concluir que está fazendo algo errado.

Converse com um profissional sobre reações persistentes ou intensas

Procure orientação profissional se os sintomas persistirem depois da prática, voltarem com frequência, atrapalharem o sono ou o dia a dia, ou fizerem você se sentir inseguro. Confusão marcante, agitação grave, sintomas físicos graves e desconhecidos ou não conseguir se manter em segurança precisam de avaliação urgente na sua região. Não presuma que piorar seja uma etapa necessária do progresso.

O guia do NIMH para preparar uma consulta recomenda descrever com clareza os sintomas, o momento em que aparecem e o impacto. Conte qual exercício você tentou, aproximadamente por quanto tempo, o que mudou e se a reação continuou depois. Mencione condições de saúde e tratamentos relevantes sem alterar por conta própria um cuidado prescrito.

Você também pode perguntar: “Essa prática é adequada para mim? O que poderíamos adaptar? Quais outras opções estão disponíveis?”. Uma resposta útil respeita suas preferências e considera o quadro mais amplo. Sua disposição para cuidar de si não é medida pelo tempo que consegue suportar uma meditação desconfortável.

Perguntas frequentes

Sentir ansiedade durante o mindfulness significa que estou fazendo errado?

Não necessariamente. O exercício, o ambiente, as expectativas, um desconforto físico ou uma preocupação de saúde podem influenciar sua experiência. Você não precisa se culpar. Faça uma pausa e considere adaptações ou orientação qualificada se essa reação preocupar você.

Devo continuar até a sensação passar?

Você não precisa continuar uma prática de autocuidado que esteja piorando seu sofrimento. Se o exercício faz parte de um tratamento, converse sobre a reação com seu profissional para decidir em conjunto o ritmo ou as alternativas.

Posso receber apoio sem meditar?

Sim. O apoio à saúde mental inclui abordagens além da meditação. Um profissional pode ajudar você a considerar opções adequadas. Cuidados cotidianos, mudanças práticas e relações de apoio também podem importar, sem substituir um tratamento quando necessário.

Ter dificuldade com um escaneamento corporal comprova trauma?

Não. A reação a um exercício não comprova um acontecimento passado nem um diagnóstico. Descreva a experiência sem tentar recuperar uma explicação. Um profissional qualificado pode avaliar suas preocupações no contexto, se você quiser mais apoio.

Base de evidências

Fontes

  1. Meditation and Mindfulness: Effectiveness and SafetyNCCIH
  2. Anxiety, fear and panicNHS
  3. Tips for Talking With a Health Care Provider About Your Mental HealthNIMH